O mês de Fevereiro Roxo chama a atenção para doenças crônicas como a fibromialgia e reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), pacientes que convivem com dor persistente contam com suporte especializado por meio do Ambulatório da Dor, que oferece atendimento multiprofissional e focado na qualidade de vida.
Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o hospital mantém um programa estruturado para acolher pessoas que enfrentam dores crônicas, especialmente aquelas diagnosticadas com fibromialgia. A síndrome, que provoca dor difusa em músculos e tendões, também pode estar associada a cansaço constante, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de memória e sintomas depressivos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 3% da população brasileira convive com a doença. A maior parte dos casos ocorre em mulheres entre 30 e 60 anos, embora homens, idosos e até crianças também possam ser afetados. Apesar de não ser progressiva, a fibromialgia não tem cura, o que torna o acompanhamento contínuo essencial.
No HRSM, o atendimento é realizado por meio de um ciclo de 12 encontros semanais. O foco vai além do controle da dor: o objetivo é promover educação em saúde, fortalecer a autonomia dos pacientes e oferecer ferramentas práticas para o enfrentamento diário da condição. O programa reúne profissionais de fisioterapia, psicologia e terapia ocupacional, além do acompanhamento médico.
A reumatologista Rafaela Cruz explica que um dos principais desafios é a invisibilidade da doença. Como não há exames laboratoriais ou de imagem que confirmem o diagnóstico, a avaliação é clínica, baseada nos sintomas relatados. A percepção intensificada da dor pelo sistema nervoso central exige uma abordagem cuidadosa e integrada.
Durante os encontros, os pacientes aprendem exercícios, técnicas de alongamento, relaxamento e métodos complementares, como a auriculoterapia. O suporte psicológico oferece acolhimento emocional e psicoeducação, enquanto a terapia ocupacional orienta adaptações nas atividades diárias para preservar a funcionalidade.
O acesso ao Ambulatório da Dor ocorre por encaminhamento médico. Pacientes regulados para a reumatologia passam por avaliação e, quando identificado um padrão de dor persistente, podem ser direcionados ao grupo. Cada turma reúne, em média, 15 participantes.
Neste mês de conscientização, o HRSM reforça a importância do cuidado contínuo e do olhar humanizado para quem convive com dor crônica, ampliando o acesso a um atendimento integrado e especializado em Santa Maria.